quarta-feira, janeiro 04, 2006
Programa Nacional de Luta Contra o Nemátodo da Madeira do Pinheiro
Rui Gonçalves, secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas esteve hoje em Alcácer do Sal para anunciar uma nova estratégia de luta contra o nemátodo da madeira do pinheiro, doença que tem significativa gravidade na Península de Setúbal e Alentejo litoral, onde se concentra 60 por cento do problema a nível nacional, com especial incidência na Herdade da Comporta. A apresentação contou com a presença de Pedro Paredes, presidente da autarquia local, que garantiu toda a colaboração ao programa de erradicação do nemátodo. “Tenho consciência que estou a gerir um concelho florestal e que as nossas maiores riquezas são o turismo e a floresta”, justificou o autarca.
A nova estratégia passa pela obrigatoriedade dos proprietários procederem à eliminação das árvores afectadas, sendo que, se tal não acontecer, o Estado realizará este trabalho, banindo também todos os pinheiros bravos num raio de cinco metros a partir dos exemplares doentes. Aliás, outro dos propósitos é eliminar todos os pinheiros bravos - a única espécie que, em Portugal e até agora, é afectada pelo nemátodo - existentes em determinadas áreas críticas e a implementação de uma faixa fitossanitária com três quilómetros de largura – cerca do dobro da capacidade de voo do insecto que propaga a patologia - , na actual zona tampão à doença, onde sejam suprimidos todos os pinheiros bravos. Esta faixa circundará a maior parte da mancha de pinhal e aproveitará barreiras físicas – como estradas – para a sua definição, sendo sujeita a corte num período de dois anos.
Paralelamente, será feita a valorização florestal da zona, com o estabelecimento de uma estratégia de reflorestação a estipular no Plano Regional de Planeamento Florestal, em fase final de elaboração.
Outro dos objectivos do novo programa é promover estudos sobre a introdução ou fomento de outras espécies, a valorização e aproveitamento industrial do material lenhoso proveniente das árvores, sendo que se procuram alternativas à queima no local, nomeadamente a utilização das aparas como bio massa para produção de energia. O estabelecimento de um programa de investigação que garanta uma maior eficácia ao combate ao nemátodo também está entre os propósitos hoje apresentados. “Estas medidas vão implicar um maior esforço por parte da administração pública e dos proprietários florestais, mas todos temos a ganhar se forem aplicadas de forma eficaz”, disse o secretário de Estado, traçando como meta que, quando se fizer o balanço de 2008, “haja uma redução da doença e que a faixa de protecção de três quilómetros nunca seja violada”.
O nemátodo da madeira do pinheiro é proveniente da América do Norte e foi detectada pela primeira vez em Portugal, em 1999. O contágio é feito através de um insecto e o resultado final é a morte da árvore. A título de exemplo, numa parcela estudada em Tróia, onde a infecção começou com 194 árvores, foram necessários cinco anos para erradicar a doença. O número de exemplares afectados tem subido todos os anos, tendo em 2004 sido fixado em mais de cem mil, só nesta região. Na Herdade da Comporta, no concelho de Alcácer do Sal, há uma média de 100 a 150 árvores doentes por hectare.
CMA
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